Ícones da cultura brasileira (8): O entrevistado do Jô
Monday, 16 November 2009 --> por Renato Grinbaum
Não basta ser artista, tem que participar. O sonho de todo artista de fim de semana é dar uma entrevista para o Jô. Dizer como é que é aquele negócio de escrever. Explicar de onde vem aquele sentimento profundo que fez o refrão da sua música. Que vem do fundo da veia seu dom artístico, por isto faz teatro infantil, e não TV. Sonho de todo artista de cultura brejeira. Afinal, artista que vai no Jô é intelectual. Formação sólida: leitura de Jack Kerouac, ideologia de Jim Morrison, um pouquinho de Miles Davis e, claro, muita Elis. Coroação? Nem precisa falar muito, o Jô fala o tempo todo. Basta sentar-se naquele sofazinho que é o trono do artista universitário, pronto para a revolução. Para o Nobel. Para a capa da Veja. Comentário favorável na Ilustrada. Ainda bem que inventaram o Guitar Hero, que vai transformar um monte de candidatos a artista em sofisticados tocadores de karaokê instrumental.
No. 1 — November 16th, 2009 at 2:21 am
Eu inclusive acho que, ao invés da entrevista inexistente, deveriam só ser colocadas pessoas em um totem, e o Jo ficar tecendo comentários sobre elas.
Aliás, o Jo poderia ser só um programa estilo “Para quem o Jo tira o chapéu”, e o nome dele repetido em todos os chapéus. Seria mais honesto.