Ícones da cultura brasileira (9) – Paulo Coelho
Sunday, 13 December 2009 --> por Renato Grinbaum
Paulo Coelho é o autor que mais vende no país, e também é o mais odiado. Muitas são as razões para ele ser o maior escritor de vinil do país, um verdadeiro disco de emoções libertadoras, com seu lado A e B. Mas nossa elite não gosta. Paulo Coelho vende muito, e vender, ser mainstream, é sinal de corrupção, concessões indevidas ao gosto do populacho. Falta de princípios. De se curvar a impulsos não autorizados a artistas: vaidade, popularidade, vontade de ganhar dinheiro. Afinal, o leitor mais apurado não quer ser confundido com aquele pobretão sem cultura que até resolveu ler um livro, ao comprar seu exemplar mofado numa banca de jornais perto do ponto de ônibus. Na frente da padaria. Livro grosso, cheio de páginas e nenhuma figura, para ler depois da novela, e depois discutir no salão de beleza com gente que não lê nem gibi. Quando muito, Caras. Além disto, Paulo Coelho não é da área. Não se formou em letras, mal sabe o que é o significado e o significante da linguística. Seus textos não são metanarrações e, tecnicamente, não há qualquer inovação, iconoclastia ou qualquer prova de inteligência hermética. E se tivesse alguma, ela não venderia um só exemplar a mais do que aqueles destinados à família, amigos e uma meia dúzia de estudantes ou leitores de Bravo ou Cult. Afinal, só percebe a qualidade da técnica quem estuda, e a literatura a eles pertence. Qualquer iniciativa de opinião de fora, de leigos, é uma intromissão indevida na corporação da intelectualidade literária. Por fim, Paulo Coelho incomoda porque não vai muito a fundo em nada, ele fala das coisas simples que o povo quer ouvir. Ele fala do misticismo, da auto-ajuda de uma forma emocionada. Dicas de Ana Maria Braga para resolver conflitos metafísicos e existenciais, insolúveis desde que a humanidade se descobriu no espelho. Dá pequenas saídas para as grandes frustrações das pessoas, sozinhas na carreira frustrada ou na solidão da família maçante. Dá alento para deprimidos sem que estes precisem fazer terapia. Aliás, tratamento caro e que requer esforço. É sempre mais fácil achar que a vida está resolvida com uma palavrinha direcionadora que acaba com a ansiedade, aqule incômodo brutal que surge com o carro novo do vizinho, ou quando a noite fica silenciosa e você tem que ouvir somente aquilo que você pensa. Aliás, será que o Paulo Coelho já pensou em abrir uma igreja?
No. 1 — December 15th, 2009 at 10:41 am
Acho que já tentou sim formar uma igreja, junto com o Raulzito.