Cultura é inteligência. É mesmo?

Chega de ver Xuxa, novela, fimes de ação estúpido. Paulo Coelho. Viva a arte cult. Viva Blade Runner e sua filosófica pombinha branca.

Viva Matrix.

Tudo bobagem. Conceitinhos filosóficos básicos, conteudinho social rasteiro, “oculto”, para indiciados, não quer dizer nada. Existe algo muito profundo em se dizer que por trás da nossa sociedade racional há um outro mundo, extrasensorial, do qual somos alijados para permitir que os poderosos mandem e desmandem?

Se levarmos a sério o Matrix, vamos cair num platonismo distorcido rasteiro e autoritário. Que nunca morreu na sociedade da razão. Ou seja, a realidade da caverna, o mundo além da compreensão. O mundo da razão e dos nossos sentidos é uma prisão. Viva o irracionaismo, a meditação transcedental. Viva o misticismo, a medicina alternativa e o vegetarianismo. Abaixo o mundo concreto racional, materialista, vamos comprar velinhas e santinhos não consumistas para venerar. Almofadas massageadoras.

Mais, defendendo a idéia anti-razão de Matrix, vamos defender Hitler, que, disfarçado de razão, queria voltar ao mundo mítico dos homens fortes, da fé na humanidade superior, conceito nada racional. Assim como o ódio cristão aos judeus, inferiores e não convertidos. Ou do Stalinismo, que na sua razão econômica estava bem próximo do ideal cristão da igualdade, do ódio à possessão material. Além: vamos voltar ao mundo cristão, que odiando a razão, destruiu o universo greco-romano para criar a idade média, o maior império místico-guerreiro da história. Isto mesmo, cultura profunda de Matrix é isto, vamos destruir a razão para voltarmos ao império do amor. Do abstrato. Da ignorância. É esta cultura que você deseja,  mesmo, cultura  que idolatra este filminho cult, ou você ama só por que alguém disse que era inteligente, mesmo? Efeitos especiais, roteirinho complexo?

O valor da arte, que na maioria das vezes não está na “lição de casa”, ou na surpresinha da idéia genial, está no contexto, está onde não deveria. Onde machuca e requer algum esforço. Mais important: requer debate e socialização, não guias e listas dos melhores filmes de todos os tempos. Ela estána capacidade de compreensão do cotidiano, de contextualização. De entender certos detalhes e intenções discretas, que não podem ser ditas. Está no esforço, e não na votade de se tentar mostrar participante de uma elite. Matrix é só mais uma bobagem cult no meio de tanta cultura preguiçosa. Mas é bem divertido, para ser sincero.

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