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Programa Tambor Zero

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Programa Tambor Zero

Programa Tambor Zero

Press Release – Secom

Programa Tambor Zero

O governo de Luis Inácio Lula da Silva definiu recentemente, junto a setores progressistas do país e junto ao Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico, o Programa Tambor Zero. O programa pretende dar um tambor para cada brasileiro menor de idade. Com a introdução deste, foi criado o Ministério Extraordinário da Inserção Popular da Música Afro-Brasileira de Origem Rítmica (MEIPMABOR), a ser presidido pelo músico Carlinhos Brown, além de outras 8 secretarias vinculadas à Presidência da República, que serão ocupadas por partidários não-eleitos do PT.

“Já estava na hora de alguém olhar pelas crianças deste país. Não era mais possível vermos criancinhas na rua, pedindo esmola e batucando em latas enferrujadas, correndo risco de doenças gravíssimas. Além do mais, tenho convicção de que isso aumentará nossas exportações, além de gerar emprego em massa. Não se trata de proselitismo, mas de consertar tudo de que o governo anterior não fez.”, afirmou o presidente. “Vamos reparar a injustiça social que gera a pobreza e a miséria do povo. Vamos incluir estes jovens cidadões (sic) através de um programa social como jamais foi visto em qualquer lugar do Universo conhecido e desconhecido.”

Ainda não foram definidos os objetivos, tampouco as metas, cronograma, verba ou alcance do programa. Gilberto Gil, ministro da Cultura explica a escolha de Brown: “Trata-se de dar o projeto àquele cuja história de vida é intimamente ligada à função social nele inserida, relativizado ao estado do batuque, do tamborim e do pandeiro.” Perguntado sobre os instrumentos que serão utilizados no programa, Gilberto Gil foi enfático: “Não importa que instrumentos serão batucados, pois o importante é a inserção musical do jovem na cultura verdadeiramente popular de forma a gerar participação e motivação de cidadania.”

Carlinhos Brown, novo Ministro do MEIPMABOR, explica melhor: “É uma coisa bem linda, vamos juntar todos lá no Pelourinho, fazer um beatbom baluaê, uma coisa linda. Será o congraçamento das raças, um baticundum infernal, junto com a Timbalada no meu espaço cultural Candy All.” Entre os outros planos de Carlinhos Brown, está implementar uma cópia do Pelourinho em cada capital do país. “O espaço de amor e de cultura que o Pelourinho carrega tem que ser reproduzido por todos os lugares”.

Pelo diversidade dos tambores

Pelo diversidade dos tambores

O projeto começará pelas cidades mais carentes de batuqueiros do País. Foram escolhidas, por isso, Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, cidades onde nunca houve a inclusão tamborística. Estas cidades serão as primeiras a receber o cartão-tambor, que dará direito à troca destes por instrumentos rítmicos em mercados da região. Será necessário comprovar, contudo, depois de 3 meses, que o instrumento comprado realmente seja usado para batucar. “É uma forma de assegurar que o beneficiado não troque por uma gaita no meio do caminho.”, afirma o vice-coordenador do projeto, Neguinho da Beija-Flor.

Há um plano de se exportar este conhecimento para fora. “O Brasil é o país mais musical do mundo. Temos mais de 200 bandas para cada 8 nos Estados Unidos, segundo minha percepção.”, afirma Gilberto Gil, vice-coordenador especial para o programa. “Imagina se compararmos ao Japão ou à China! Acredito que, assim como o Oludum, poderemos gerar milhões de dólares de divisas através da exportação de jovens músicos para participação em festivais étnicos e afros na Europa.” Brown completa: “Meu sonho é ter um Ilê-Aiyê em cada casa! Isso será lindo para a diversidade das raças e valorização do negro no Brasil.” Gil, ganhador do importante prêmio Grammy Latino, diz esperar resultados rápidos, com o projeto ganhando, eventualmente, o Grammy Latino de melhor projeto social de World Music.

Haverá, também, cotas para coreanos e chineses nos cursos ligados ao programa. “Realmente, não vemos muitos coreanos batucando por aí. Isto é prova do preconceito que rola com nossos asio-brasileiros, que são sempre taxados de duros e ruins de samba. Só porque são vítimas da guerra e fazem parte do Eixo do Mal não podem ficar isolados do Programa”, alerta Neguinho da Beija-Flor.

Lula agradece o apoio da ONU e da UNESCO, que alguns anos atrás definiram que a música poderia ser um instrumento de inclusão social. “O Brasil está provando aqui, com a minha eleição, que está disposto a encarar o desafio de mudar o mundo. E vamos começar combatendo a pior exclusão de que o homem é capaz, a exclusão do ritmo, da música, do Carnaval. Se, no ano que vem, todas crianças e jovens tiverem um tamborim para brincar o Carnaval, serei o presidente mais feliz deste e de todos os outros mundos.” E completa: “Estarei feliz no dia em que todo moleque de rua, por mais pobre e sujo que seja, tenha direito a batucar um surdão três vezes por dia. Só assim, o Brasil voltará a crescer e se tornará o país que todos nós sonhamos a partir da minha eleição. Agora o batuque da esperança venceu a guitarra do medo!”

(texto de 2003, originalmente no Rosebud Pop Media #3)

We’re taking off…

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Nosso blog é para pessoas que entendam K. McCarthy e descubram as sutilezas de Daniel Johnston. Depois, escrevam 5 laudas sobre Rocketship.

Written by Amaral

September 24th, 2008 at 11:30 pm

Como a brodagem pode estragar um bom argumento

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Lourenço Mutarelli é hoje o maior quadrinista brasileiro. Há várias razões para afirmarmos isso. A principal é que ele sabe construir roteiros, o grande mal do quadrinho brasileiro fora do terreno do cartum e do humor. Seu último projeto, a ambiciosa Trilogia Do Acidente, de quatro partes, baseada no detetive Diomédes, formado pelos livros O Dobro de Cinco, O Rei do Ponto e A Soma de Tudo (parte um e dois) poderia ser um marco no quadrinho brasileiro.

Se ele chegará um dia a ser, é questão de tempo. Mas Mutarelli se perdeu no final da história. Vamos por partes. O paulistano Lourenço iniciou seus trabalhos com o hermético e assombroso Transubstanciação, lançado em 1991; um trabalho intrincado de arte, provocador ao ponto escatológico, muito distante do que acontecia no mercado brasileiro. Desde esta época, Mutarelli se aproxima da bande desinée européia, de autores que lançam projetos que, naquelas pairagens, são celebrados e respeitados como livros. Nada mais natural, na verdade. A prova de que os quadrinhos deveriam ser tratados como arte e literatura vem da própria incapacidade do cinema em realizar qualquer filme decente sobre quadrinhos. O primeiro Batman passou perto, somente pelo apelo visual, já que o roteiro foi um desastre; piegas, com um Batman frouxo e concessões demais ao cliché. Aliás, desafio a qualquer leitor em provar um filme que seja melhor que o quadrinho em que foi baseado. Read the rest of this entry »

Written by Amaral

September 22nd, 2008 at 7:43 pm