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	<title>O Errático &#187; Artigo</title>
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		<title>A cena de Birmingham, através do universo paralelo de Roy Wood e Jeff Lynne I</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2009 18:00:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Já falamos sobre Roy Wood e The Move em outro post. Mas e o Idle Race? Era necessário um capítulo à parte para The Idle Race, grupo ainda mais desconhecido que o Move. Formado das cinzas da primeira banda de Roy Wood, que era seu guitarrista, o Mike Sheridan &#38; The Nightriders era formado por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já falamos sobre Roy Wood e The Move em outro <a href="http://www.oerratico.com/2009/08/artigo/a-cena-de-birmingham-atraves-do-universo-paralelo-de-roy-wood-e-jeff-lynne-i/"  target="_blank">post</a>. Mas e o Idle Race?</p>
<p>Era necessário um capítulo à parte para <strong>The Idle Race</strong>, grupo ainda mais desconhecido que o Move. Formado das cinzas da primeira banda de Roy Wood, que era seu guitarrista, o Mike Sheridan &amp; The Nightriders era formado por Mike Sheridan (ex-Dakotas, ex-Checkers) nos vocais, Brian Cope no baixo, Dave Pritchard (ex-Planets) na guitarra rítmica e Roger Spencer (ex-Hound Dogs) na bateria. Com a saída de Wood e entrada de Jeff Lynne, gravam alguns singles pela Pye como Nightriders, que deram em nada.</p>
<p><object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="salign" value="l" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ksnW24xcQKs&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="left" /><param name="vspace" value="5" /><param name="hspace" value="5" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/ksnW24xcQKs&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="5" vspace="5" align="left" salign="l"></embed></object>Com uma mudança de direção e a ascenção de Lynne como compositor, mudaram de nome para The Idyll Race e, depois, The Idle Race. Assinando com o selo Liberty (parte da EMI), gravam uma cover do Move: <em>(Here We Go Round) The Lemon Tree</em>. Mas com a versão original ainda em alta rotação, acabaram optando por rapidamente lançar um segundo single. Este seria o excelente <em>Impostors of Life’s Magazine</em>, um psychpop esquisito, divertido, com múltiplos “pedaços” e produção intrincada, que se torna um cult favorite imediato, já que não vendeu nada por problemas de promoção. <em>Impostors</em> tem de tudo: English Hall, soul, freakbeat, rock, folk… Não à toa, entrou na caixa do <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B00005JGA7?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B00005JGA7"  rel="nofollow">Nuggets II: Original Artyfacts From The British Empire And Beyond</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B00005JGA7" border="0" alt="" width="1" height="1" />.</p>
<p>Em 1968, sai The Birthday Party (teríamos aí uma conexão com Nick Cave?), álbum que teria uma das primeiras capas duplas do rock (claro, depois de Sgt. Pepper’s) e um poster central com dezenas de músicos numa festa de aniversário. Este é um daqueles clássicos trabalhos que fazem você coçar a cabeça perguntando porque não ouviu isso antes. Ou melhor, porque isso não tocou na época? Talvez a resposta esteja ao escutá-lo: trata-se de um álbum muito inglês. Inglês demais para o público americano. As influências estão por toda parte: Beatles na fase Revolver/Sgt. Pepper’s, Kinks de <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B00280J1HI?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B00280J1HI"  rel="nofollow">The Village Green Preservation Society</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B00280J1HI" border="0" alt="" width="1" height="1" />, Small Faces de <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B0002HUXWQ?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B0002HUXWQ"  rel="nofollow">Ogden&#8217;s Nut Gone Flake</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B0002HUXWQ" border="0" alt="" width="1" height="1" />… Mas com um toque a mais de “briticismo”: nas letras, que em certos momentos são absolutamente inintendíveis para um não-local, e nas nuances excêntricas e divertidas. Roger diz até hoje que se tratava de um álbum do Rupert, o Urso… Foi nesta época que Jeff começa a se apaixonar pela produção.<span id="more-990"></span></p>
<p><object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="salign" value="l" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NN8U5GdvrPo&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="left" /><param name="vspace" value="5" /><param name="hspace" value="5" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/NN8U5GdvrPo&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="5" vspace="5" align="left" salign="l"></embed></object>Este lado professor maluco surgiria com seu primeiro trabalho na mesa, o excepcional single <em>Days of Broken Arrow</em>, talvez o ápice da banda. Outro fracasso de vendas, conseguia unir seu futuro famoso falsetto a uma melodia que remete a Beatles em seu mais psicodélico e a Kinks em seu mais teatral. O caminho estava aberto para o segundo, homônimo e melhor álbum do Idle Race. Lançado em 1969, é um dos álbuns mais bem produzidos até então. A qualidade de som, a clareza nos detalhes eram certamente inusitados numa época em que o heavy rock despontava. O Idle Race ia na contramão, lembrando mais Rubber Soul que Let It Be, mais clowns que trolls barbudos. De certa forma, eles eram retrógrados nesse sentido. Mas isto é irrelevante perto do belíssimo trabalho. Quase como um álbum conceito, as faixas se mesclam umas nas outras, antecipando o som e estilo do High Llamas em 25 anos. A grande maioria das faixas são sutis, bem orquestradas, mas sem nenhum dos excessos que viriam de Lynne no final dos anos 70. Se antecipavam o escopo do futuro trabalho com o Electric Light Orchestra, não deixava ainda de ser um som típico do pop inglês sessentista. O álbum foi inexplicavelmente mais um fiasco de vendas e Jeff Lynne resolve sair da banda para juntar-se a Roy Wood no Move (e quase simultaneamente, ao ELO). Os membros restantes recrutam Mike Hopkins (guitarra) e Dave Walker (vocais) e continuam, lançando alguns singles de covers simpáticas (inclusive In the Summertime do Mungo Jerry, que fez sucesso na Argentina…) e o fraco Time Is em 1971, muito mais puxado para o blues e o folk rock. Um caso de sintonia com os tempos, mas que soava já ultrapassado. Com mais este fiasco, o Idle Race baixou suas cortinas em 1972 e de suas cinzas surgiu a Steve Gibbons Band, tradicional banda de blues rock britânica. Atualmente, seus dois primeiros álbuns e singles podem somente ser encontrados na compilação <a href="http://www.amazon.com/gp/product/B000LE1EQE?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=390957&amp;creativeASIN=B000LE1EQE"  rel="nofollow">Back to the Story</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B000LE1EQE" border="0" alt="" width="1" height="1" />, que contém toda a obra da banda, mas reeditado sem os singles do Nightriders que vinham na primeira versão. Aparentemente, também estão no pacote de relançamentos de Roy Wood/Jeff Lynne que começaram em 2003 os álbuns originais e um box quádruplo. Mas não contem muito com isso, pois a EMI parece estar muito resistente de apostar em relançamentos no atual cenário.</p>
<p>O pirata <em>BBC and Beyond</em> é muito recomendado, pois mostra o ótimo trabalho ao vivo da banda, além de alguns outtakes de <em>Birthday Party</em>.</p>
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		<title>A cena de Birmingham, através do universo paralelo de Roy Wood e Jeff Lynne I</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 16:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amaral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Responda: qual banda inglesa dos anos 60 conseguiu nove Top 20 em 6 anos, sendo um primeiro lugar, produziu 4 álbuns, substituiu o The Who no Marquee Club e continua completamente desconhecida em terras brasileiras? Se você respondeu, é um dos raros que conhecem o Move, um dos mais interessantes sub-produtos do mod e psychedelic [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Responda: qual banda inglesa dos anos 60 conseguiu nove Top 20 em 6 anos, sendo um primeiro lugar, produziu 4 álbuns, substituiu o The Who no Marquee Club e continua completamente desconhecida em terras brasileiras? Se você respondeu, é um dos raros que conhecem o Move, um dos mais interessantes sub-produtos do mod e psychedelic rock inglês. Originalmente de Birmingham (noroeste de Londres), cidade que também geraria o Moody Blues, The Idle Race e Denny Laine, um outro importante desconhecido, que foi um dos criadores do “baroque” rock e seria a outra metade do Wings de Paul McCartney. História esta que merecerá um futuro texto.</p>
<p><object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="quality" value="best" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Q7oUwPIWCYI&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="left" /><param name="vspace" value="2" /><param name="hspace" value="4" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/Q7oUwPIWCYI&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="4" vspace="2" align="left" quality="best"></embed></object>Formado em 1966 por Bev Bevan, Carl Wayne, Chris “Ace” Kefford (Carl Wayne &amp; the Vikings), Roy Wood (The Nightriders) e Trevor Burton (Danny King &amp; The Mayfair Set), começaram como uma banda de covers, principalmente de R&amp;B e soul music, cantada em 4 ou 5 vozes, mas com aquele típico punch das bandas mod. Aos poucos, com a ascenção de Roy Wood à liderança da banda, passaram a compor seu próprio repertório. Foram, então, contratados pelo svengali Tony Secunda (que já cuidava do Moody Blues e do The Action). Foi ele o grande responsável por relocá-los a Londres e assegurá-los um lugar no histórico Marquee Club, a ex-casa do Who. Mas também era expert em criar factóides e gerar barulho – aliás, com o outros tantos naqueles anos. Entre outras, mandou um postal com a montagem de uma foto do primeiro-ministro inglês nu para promover um single, à revelia da banda, causando um pequeno furor (e causando ao Move a perda dos direitos autorais do single até hoje também). Também vinha dele boa parte das idéias para os shows, marcantes pelas loucuras e pelo espetáculo visual da banda. Destruiam carros ao vivo, usavam roupas mais extravagantes que os Beatles de Sgt. Pepper’s, estouravam alarmes nos clubes para que os bombeiros aparecessem durante a canção Blackberry Way, quebravam aparelhos de TV com um machado no meio do público, que se ralava inteiro, entre outras bobagens. Roy Wood não era muito fã disto, sendo um verdadeiro freak bigodudo, e talvez um dos mais reclusos líderes de banda de então. Tanto é que Carl Wayne, vocalista, era considerado o porta-voz para a imprensa – apesar de Wood ser o compositor. Se por um lado, estes esquemas de marketing funcionavam no curto prozo, acabou machucando a percepção de muitos sobre a qualidade da banda, isto sim inquestionável.</p>
<p>O Move era uma banda de singles: seu primeiro álbum só foi lançado em 1968, e era quase que uma coletânea destes. Seu primeiro single, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CNSpBf9kSlI"  target="_blank" rel="nofollow">Night of Fear</a>, que chupa o riff da Overture 1812 de Tchaikovsky, chega a segundo lugar nas paradas inglesas em janeiro de 67. Apesar de um grande gancho pop, não era ainda o som típico da banda. O lado B, The Disturbance, contudo, acaba sendo mais representativo da mente de Roy Wood: aliás, se passa num hospital psiquiátrico. Tinham o punch de um Small Faces, a coesão de um Who, mas com um sotaque ainda mais inglês, mais florido (pela ampla influência do som da Costa Oeste americana – Byrds e Love, especialmente) e, principalmente, mais melancólico. O sensacional clássico psicodélico I Can Hear The Grass Grow veio em seguida, com uma daquelas letras nonsense que só ingleses em 1967 poderiam fazer. Enfiaram mais uma seqüência de hit singles. Flower In The Rain, que pode ser colocada junto a Waterloo Sunset (Kinks) e Itchicoo Park (Small Faces), como as mais representativas canções do flower pop britânico. Cherry Blossom Clinic, o single seguinte, foi vetado pela gravadora depois da série de problemas legais, pois tratava também de uma clínica mental e acabou sendo lançado só em 1969 no segundo álbum. Seu melhor momento até então foi (Here We Go Round) The Lemon Tree, obra-prima psychpop que imediatamente virou nome de banda e cover de um importante grupo que já falaremos: o Idle Race. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=hLhCPQy5AkQ&amp;NR=1"  target="_blank" rel="nofollow">Fire Brigade</a>, pop irresistível, de riff chicletão, e Blackberry Way, um clássico, uma espécie de marcha-rock com um refrão majestoso, imponente, fecham esta primeira fase.<span id="more-989"></span></p>
<p>Nesta época, Ace Kefford, que queria a banda caminhando mais para o blues, resolveu sair. O quarteto seguiu em frente, cada vez mais incluindo metais e cordas, cujos arranjos eram feitos por Tony Visconti, e paradoxalmente, cada vez mais pesada. Não em barulho, mas em peso mesmo: sax alto, baixo com volume lá em cima e guitarras carregadas nos graves. Os singles Yellow Rainbow e o corretamente nomeado Brontossaurus davam uma boa idéia desta fase. Logo em seguida, gravariam o segundo álbum, o esquisitíssimo Shazam. Na contramão dos singles, que eram pérolas pop dentro dos 3 minutos de praxe, o álbum tem só 6 músicas – batendo quase todas acima dos 5 minutos. Guitarras intrincadas, longos interlúdios musicais, muitos intrumentos e, principalmente, muita confusão. Uma verdadeira massa sonora, de fazer Phil Spector parecer minimalista. Exceção feita à belíssima Beautiful Daughter, balada com quarteto de cordas e slide guitar.</p>
<p><object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/iirNwgdZbjM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="right" /><param name="vspace" value="2" /><param name="hspace" value="4" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/iirNwgdZbjM&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="4" vspace="2" align="right"></embed></object>Roy Wood já começava a indicar seus caminhos futuros. Um pouco depois de Shazam, um EP ao vivo é lançado e mostra uma outra face da banda. Com covers de Byrds, Love, Eddie Cochrane e Spooky Tooth, mostra uma banda matadora ao vivo, com uma pegada própria para as covers. E, sim, completamente distinta dos trabalhos dos singles e do álbum citado. Não haviam muitas bandas com esta capacidade de explorar caminhos tão diversos como The Move em 1969, e muito menos com esta qualidade.<br />
Trevor Burton sai da banda, na época em que fazem uma desastrada turnê nos Estados Unidos. Aliás, o Move nunca estourou no mercado americano, assim como aqui. Resultado de problemas com a gravadora, apesar de queridinhos do underground. Carl Wayne também resolve sair, para cantar em cabarés, antecipando David Lee Roth em uma década.</p>
<p>Com isso, se encerra este período do Move. Wood assume os vocais e guitarras, Bevan continua na bateria e vocais e dois novos membros surgem: Rick Price no baixo e Jeff Lynne, outro guitarrista. Jeff vinha da cult fovorite The Idle Race (uma das favoritas dos DJs John Peel e Kenny Everett, que era até presidente do fã-clube!) e era amigo de Wood, desde Birmingham. Com sua entrada no Move, a banda passa a ter dois compositores e ganha uma nova dinâmica. Jeff era uma espécie de gênio produtor e arranjador e, com isso, tornou o som da banda mais complexo. Pode-se creditar a sua influência como fundamental para a guinada do Move para uma banda de estúdio.</p>
<p>O terceiro álbum não tardaria. Chamado Looking On, era mais uma cacetada sonora. O Move nesta época (1970) passaria a fazer show insanos, com maquiagens tribais, um som beirando ao heavy metal –no sentido literal, pesadão nos graves e cheio de metais de base. When Alice Comes Back To The Farm já indicava os novos tempos: violoncelos em multi-track (vários canais ao mesmo tempo), sax tenor, vocais rasgados. Mas ainda pop. Kilroy Was Here é uma pérola tipicamente britânica, na linha English Hall tão típica do Kinks e do Small Faces de então.</p>
<p>Contudo, Roy estava se cansando do Move. De certa forma, Lynne havia sido convidado por Wood para participar do Move porque gostaria de tê-lo em seu novo projeto paralelo, que em breve se iniciaria: o Electric Light Orchestra. Sua idéia era uma banda que partisse exatamente de onde I Am The Walrus havia deixado, ou seja, de um rock misterioso cheio de cordas que fosse além da guitarra/baixo/bateria. Por isso, Roy passa a aprender a tocar violoncelo, bateria, entre outros instrumentos. O Move de então passou a ser apenas uma obrigação contratual, pois tanto Jeff quanto Wood e Bevan já estavam trabalhando no ELO. E, portanto, Electric Light Orchestra era o próprio Move, com outro nome. Rick resolve sair por causa disto e o Move/ELO vira trio. A distinção entre as bandas fica ainda mais borrada, já que as gravações do Move, do Electric Light Orchestra e até do futuro primeiro álbum solo de Roy Wood eram gravados ao mesmo tempo e até nas mesmas fitas master!</p>
<p><object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PC02EnshI5U&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="left" /><param name="vspace" value="2" /><param name="hspace" value="4" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/PC02EnshI5U&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="4" vspace="2" align="left"></embed></object>Estas mudanças não passaram desapercebidas. As bandas assinam contrato com o selo progressivo Harvest (casa de outros importantes artistas, como o Pink Floyd, Syd Barrett, Barclay James Harvest e o pessoal de Cantenbury). E então é lançado o último álbum do Move, o bom Message From The Country, onde uma espécie de banda heavy blues maníaca assume o controle. Chega até a soar paródia em determinados momentos – vocais estilo cabaré, riffs carregados e gracinhas em geral. O ouro na verdade estava guardado para o primeiro homônimo álbum do Electric Light Orchestra. A soberba 10538 Overture, de Lynne, é a faixa de abertura. Um início com uma guitarra fuzzy, chamando o riff, para a entrada triunfal do violoncelo furioso de Roy Wood, que mais parece um ataque. Realmente, soava como a continuação de I Am The Walrus, em sua estranheza, em seu clima sorumbático e dark. Whisper In The Night, de Wood, é uma belíssima balada que fecha o álbum, que passeia por faixas inteiramente instrumentais, cuja base é Roy ainda no violoncelo e mais músicos convidados no corne inglês, noutro violoncelo, e um par de violinos. Muito estranho e sombrio, como The Battle of Marston More, pouco parecido com o prog da época. Não havia a intenção erudita ou exageros jazzísticos, ou mesmo exercícios em técnica. Havia pegada, punch. E, sim, chegou a sair em vinil quadrafônico no Brasil. 10538 Overture entra em primeiro lugar na parada inglesa miraculosamente.<br />
<object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="quality" value="best" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/uNClsvgv2V0&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="left" /><param name="vspace" value="2" /><param name="hspace" value="4" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/uNClsvgv2V0&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="4" vspace="2" align="left" quality="best"></embed></object> Enquanto isso, mais dois singles do Move, que continuava sendo o veículo pop do trio, são lançados pela EMI: Tonight e a deliciosa Chinatown. Provando serem imbatíveis nos compactos, eram típicos clássicos que reuniam o melhor de dois mundo: o arranjo esmerado de Lynne e melancolia estranha de Wood. Para complicar, nesta época, o Move consegue pela primeira vez entrar na parada americana com o futuro sucesso do ELO: Do Ya, numa versão muitíssimo superior àquela, por sinal. Mas que ficou relegada ao lado B do derradeiro single inglês, California Man. Para quem se lembra, se tornaria um hit nas mãos do Cheap Trick em 1978. E aqui se encerra a história do Move. E de certa forma do Electric Light Orchestra fase 1?</p>
<p>Sim, acontece que Roy Wood não achava correto que os holofotes estivessem sobre ele, quando Jeff Lynne era tão importante quanto ele próprio na visão do grupo. E, claro, por seu sucesso no Move, isto acabava ocorrendo. Mas é importante afirmar que ELO é sim um disco muito diferente do que viria a ser a Electric Light Orchestra, sintomático pela presença de Roy Wood. De qualquer forma, durante as gravações do ELO II, Wood deixa amigavelmente a banda, que continuaria com Bev Bevan e Jeff Lynne. Aliás, ganhariam muito dinheiro no final da década com hits como Last Train To London, Rock’n’Roll Is King e a infame Xanadu. E faria a fama de produtor de Lynne – para bem (ultra-fidelidade, som quente) ou mal (agudos lá no talo e orchestração exagerada) –, que se tornaria amigo de George Harrison e Tom Petty – fazendo inclusive parte dos injustiçados Traveling Wilburys – e responsável pela produção da série Anthology dos Beatles.</p>
<p>E Roy Wood? Cada vez mais excêntrico, monta o Wizzard, mega-banda (sim, tinha trocentos membros) que mistura rock básico, R&amp;B vocal da Motown, Beach Boys fase Pet Sounds com muitos metais e orquestra, numa mistura estranha, mas que conseguiria vários primeiros lugares ingleses, como a genial See My Baby Jive, uma espécie de Beach Boys encontra Ronnettes e Phil Spector ao cubo, Angel Fingers, em seu estilo cabaré post-punk, e a única canção de Natal que importa, It’s a Wonderful Rock’n’Roll Winter. Grava, então, o álbum Wizzard’s Brew que, claro, nada tem a ver com os singles! Trata-se de um álbum de produção chapada, carregado nos graves e médios, com faixas de 8 a 13 minutos que provoca ódio ou paixão, dependendo de quem as ouve. Não deixa de ser, contudo, sintomático da carreira de Roy Wood, que nunca seguiu o que se esperava dele. Seus shows viram então grandes eventos: cabelos compridos coloridos, palco que parecia palco de guerra de paintball, pintura na cara – isso, bem antes de KISS e outras bandas. Lança ainda um álbum em 1973, atualmente fora de catálogo, chamado Boulders, muito elogiado, onde toca todos os instrumentos e havia sido gravado na época do Move/ELO. Passa então a ter uma carreira cada vez mais errática, montando vários ensembles, trabalhando com Brian Wilson (Beach Boys) em 1975, produzindo alguns trabalhos menores e montando sua atual formação, o sensacional Roy Wood’s Army, que é formado por 8 mulheres no metais!<object style="width: 320px; height: 265px;" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="320" height="265" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="salign" value="r" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/A2ovGkqI1r8&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" /><param name="align" value="right" /><param name="vspace" value="2" /><param name="hspace" value="4" /><embed style="width: 320px; height: 265px;" type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="265" src="http://www.youtube.com/v/A2ovGkqI1r8&amp;hl=en&amp;fs=1&amp;color1=0x3a3a3a&amp;color2=0x999999" hspace="4" vspace="2" align="right" salign="r"></embed></object></p>
<p>O mais importante é que, finalmente, está em preparação o relançamento de todo seu catálogo remasterizado, desde o Move até seus mais obscuros trabalhos. Não acho que isso irá alterar grande coisa no conhecimento dos brasileiros sobre seu trabalho, já que o mercado brasileiro sequer está preparado para relançamentos prosaicos de gente como Roberto Carlos, mas pelo menos o tornará mais acessível, que é um grande avanço.</p>
<h3><span style="color: #003300;">Discografia Recomendada</span></h3>
<h4><span style="color: #003300;">The Move</span></h4>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/B001DPC46O?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B001DPC46O"  rel="nofollow">The Move Anthology 1966-1972</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B001DPC46O" border="0" alt="" width="1" height="1" /></p>
<h4><span style="color: #003300;">Electric Light Orchestra</span></h4>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/B000F4MJO6?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B000F4MJO6"  rel="nofollow">The Harvest Years 1970-1973</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B000F4MJO6" border="0" alt="" width="1" height="1" /></p>
<h4><span style="color: #003300;">Roy Wood</span></h4>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/B000OCXF6U?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B000OCXF6U"  rel="nofollow">Boulders</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B000OCXF6U" border="0" alt="" width="1" height="1" /></p>
<h4><span style="color: #003300;">Wizzard</span></h4>
<p><a href="http://www.amazon.com/gp/product/B000I0SGL2?ie=UTF8&amp;tag=oerr-20&amp;linkCode=as2&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B000I0SGL2"  rel="nofollow">Wizzard&#8217;s Brew</a><img style="border:none !important; margin:0px !important;" src="http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=oerr-20&amp;l=as2&amp;o=1&amp;a=B000I0SGL2" border="0" alt="" width="1" height="1" /></p>
<h4>Sites</h4>
<p>The Move<br />
<a href="http://www.moveonline.com" target="_blank">http://www.moveonline.com</a><br />
Electric Light Orchestra<br />
<a href="http://www.ftmusic.com" target="_blank">http://www.ftmusic.com</a><br />
Roy Wood<br />
<a href="http://www.roywood.co.uk" target="_blank">http://www.roywood.co.uk</a></p>
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		<title>As 8 Maravilhas do Mundo Pós-Moderno: I &#8211; O PAC</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 22:27:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Amaral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[maravilhas do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[PAC]]></category>
		<category><![CDATA[Plano de Aceleração do Crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[simulacro]]></category>

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		<description><![CDATA[Inauguramos aqui a série das novas Maravilhas do Mundo. Não contente com a limitação de escolher apenas obras concretas, certamente imposta por machos dominadores, O Errático ousa desafiar a opressão e apresentar as maravilhas pós-modernas da humanidade. São legados que elevam a capacidade humana de criação a patamares que nem mesmo a arquitetura e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Inauguramos aqui a série das novas Maravilhas do Mundo. Não contente com a limitação de escolher apenas obras concretas, certamente imposta por machos dominadores, O Errático ousa desafiar a opressão e apresentar as maravilhas pós-modernas da humanidade. São legados que elevam a capacidade humana de criação a patamares que nem mesmo a arquitetura e a geologia conseguiram.</em></p>
<p>A primeira das novas maravilhas do mundo certamente é o <strong>PAC</strong>, o <strong>Programa de Aceleração do Crescimento</strong>. O brilhante conceito, certamente desenvolvido por um grupo de cientistas neurolinguísticos de PNL &#8211; que é o pai do PAC, já que a mãe verdadeira fugiu e a adotiva está em campanha pelo filho &#8211; já era um sucesso antes mesmo de sê-lo. Vamos desconstruir cada uma das palavras que anunciam a nova aurora da política pública.</p>
<p><em><strong>Programa</strong></em> &#8211; É aquilo que se assiste na TV, aquilo que prende e seda as pessoas, trazendo felicidade e conforto. É também a forma mais correta de se comunicar algo para o grande público, afinal ler dá azia e cansa demais.</p>
<p><em><strong>Aceleração</strong></em> &#8211; é a batida do coração, é aquilo que se move, a Marcha dos Milhões, é Pol Pot e Mao Tse-Tung, só que sem as mortes. É uma mudança cultural, que se volta para a emoção de cada um dos seres humanos que habitam o Brasil. Lembra também Ayrton Senna (Acelera, Ayrton!), Copa do Mundo, Galvão Bueno e mais um monte de coisas que só quando se acelera se sabe.</p>
<p><em><strong>Crescimento</strong></em> &#8211; Essa palavra sintetiza o lado malemolente tipicamente brasileiro. Porque brasileiro nasce com aquilo roxo e não dá chance para a cabroxa reclamar: cresce e pronto. Crescimento também é algo inerente ao Brasil: estamos sempre fadados ao crescimento, se não hoje, possivelmente depois de amanhã, porque amanhã é feriado.</p>
<p>Juntas, essas 3 letrinhas com tanto conceito e conteúdo intrínsecos representam o que há de mais avançado em META-política no mundo hoje. O PAC é a filosofia por trás da engenharia e dos gastos &#8211; qualquer gasto. E é isso que o torna tão genial &#8211; o PAC é o tudo: cabe absolutamente qualquer coisa dentro dele. Três letrinhas que, 2000 anos após Cristo, significam mais do que o Pai e do que Havaianas, já que o PAC é onipresente, onisciente, não solta tiras e não deixa cheiro.</p>
<p>Investimento em infraestrutura? É PAC. Asfaltamento da rua de casa? É PAC. Vai comprar um carro? É obra do PAC. Produziu metano depois de comer uma feijoada? Também é do PAC. O gás e o feijão. O melhor de tudo é que nem precisa ser real, nem o metano e nem o feijão: basta apenas dizer que potencialmente o feijão e o metano irão ser produzidos e gerados, e que estão dentro do PAC. Pronto: como um milagre da pós-hipnose, temos um PAC de feijão e metano prontinho para ser servido na mídia.</p>
<p>O PAC também é número, de preferência, na casa dos milhões. Todo mundo sabe que no Brasil, qualquer coisa que fale acima de dez mil não faz a mínima diferença para a população média. Dez mil, cem mil e dez milhões são a mesma coisa. E como a obra em si não importa, já que <strong>sugestiona-se apenas a futura existência da mesma</strong>, podemos dizer que o <strong>PAC é o primeiro simulacro de política pública do mundo</strong> realizado com sucesso. Nem a China, com a Revolução Cultural, conseguiu sustentar por tanto tempo um movimento de tal envergadura. Talvez porque cometeram o erro de FAZER a revolução e não só ANUNCIÁ-LA, que foi a grande sacada por trás do PAC. Brasileiro gosta é de gente com coração bom e boas intenções. O resto é detalhe.</p>
<p><span style="color: #800000;">É por criar o primeiro simulacro real de revolução anunciada que o PAC merece ser incluído entre as maiores maravilhas do mundo pós-moderno.</span></p>
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		<title>Clube</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Dec 2008 23:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Villa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[clube]]></category>
		<category><![CDATA[lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[são paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[The club is (still) open! Dá para contar a história da minha juventude pelos roteiros feitos em clubes da Zona Norte de São Paulo. As partidas de futebol no Pinheiral, atrás do hospital São Camilo (na verdade não sei nem se o Pinheiral é um clube, tecnicamente falando). As domingueiras no Clube dos Oficiais da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>The club is (still) open!</p>
<p>Dá para contar a história da minha juventude pelos roteiros feitos em clubes da Zona Norte de São Paulo. As partidas de futebol no Pinheiral, atrás do hospital São Camilo (na verdade não sei nem se o Pinheiral é um clube, tecnicamente falando). As domingueiras no Clube dos Oficiais da Polícia Militar, ao lado do Horto Florestal. Algumas vezes ia também à domingueira do clube dos Oficiais da Aeronáutica. A festa chamava-se &#8220;Vênus&#8221; e ficava numa rua paralela à avenida Brás Leme. Meu irmão Diego freqüentou a domingueira do Acre Clube e minha irmã Cynthia ia no Espéria, quase em frente ao Clube de Regatas Tietê, do outro lado do rio, na margem oposta, clube do qual ainda sou sócio e ao qual vou toda a semana para nadar e correr.</p>
<p>Tenho histórias de todos esses lugares e de alguns outros, como bailes de debutantes e formaturas no Círculo Militar e no Clube Pinheiros. Histórias de amizade e de brigas. Havia um claro comportamento de gangue entre a meninada. Eu gostava de chegar a um desses locais e, sendo apresentado por um &#8220;membro&#8221; mais velho ou mais popular ao resto do grupo, ganhar o respeito e a simpatia do resto. Não havia muitos compromissos a cumprir, apenas ficar no mesmo canto da pista de dança com o resto do pessoal e, em caso de briga, tomar o partido certo e distribuir uns chutes em quem &#8220;invadisse o território&#8221;.</p>
<p>A música nesses lugares era uma mistura de rock e house, principalmente. Os sets se repetiam quase da mesma maneira, todo o domingo. As pessoas ensaiavam coreografias e dançavam em linha, às vezes umas trinta, totalmente sincronizadas.</p>
<p>No final da noite, às vezes havia ainda uma última parada em alguma lanchonete próxima, antes de voltar pra casa. Em algumas noites eu conseguia carona e em outras tinha que voltar de ônibus ou até a pé, quando o dinheiro era contado.</p>
<p>O Clube de Regatas Tietê, ou simplesmente Tietê, é o meu clube até hoje, como já disse. Voltei a freqüenta-lo há pouco mais de quatro meses, depois de oito ou dez anos ausente. Meu irmão se mudou com a mulher para o bairro da Ponte Pequena e ficou vizinho do clube. Com isso, voltou a usar academia de musculação, pista de corrida e piscinas do Tietê. Ele insistia para que eu também voltasse até que um dia resolvi reativar meu título.</p>
<p>O Tietê é um clube decadente, tentando sair do buraco. Lembra muito a história daquele filme argentino, &#8220;Clube da Lua&#8221;. Ele tem mais de 100 anos, mas se afundou em dívidas e assisitu a uma debandada geral de seus sócios, em parte pela própria política adotada pelos seus diretores (que não incentivavam a entrada de visitantes e pararam de promover eventos para arrecadação de fundos), em parte pela ascensão de academias e em parte pelos escândalos de roubos de recursos envolvendo  funcionários. Apesar disso, mesmo decadente, a estrutura é impressionante. O parque aquático é fabulosos. São duas piscinas olímpicas (uma com trampolins para a prática de salto ornamental) e uma piscina semi-olímpica coberta e aquecida, além da piscina infantil e da social. Há um salão de festas enorme onde um amigo, o Mauro, realizou sua festa de casamento. Seis ou sete quadras de tênis, pista de corrida, campo de futebol, quadras cobertas de vôlei, squash, ginásio poliesportivo, espaço para prática de judô, tênis de mesa, arco-e-flecha e mais. Os vestiários centenários têm armários de madeira nobre polida e algumas chaves usadas para tranca-los ainda são as originais. A água que sai dos chuveiros vem de uma caldeira. Não há nada igual em academias, eu penso&#8230; e essa é a mensagem. Tem gente de academia, tem gente de personal trainer em casa, tem gente de esteira na sala e tem gente de clube. Eu sou um cara de clube. Gosto do clima. Gosto de andar nas alamedas do Tietê e ver verdadeiros bandos de gatos ferais circulando. Gosto dos personagens, como o seu Toninho e o seu Olívio, que trabalha no vestiário do clube há mais de 45 anos. Na sala de troféus, tem coisas que deveriam estar num museu do esporte brasileiro, alguns artigos e fotos da Maria Esther Bueno, tenista multiganhadora de Wimbledon e imagens da época em que se praticava regatas no rio Tietê.</p>
<p>A família de minha tia Estela vivia no clube Espéria. Na época (eu devia ter uns dez ou onze anos), sentia inveja dos meu primos porque não ia tanto ao Tietê e não tinha uma turma de amigos no clube, como eles tinham. Quando nos encontrávamos, geralmente nas férias de final de ano, eles me venciam em praticamente tudo que disputávamos. Era melhores nadadores, boleiros e tenistas, masi fortes e mais seguros, e também tinham mais histórias de garotas pra contar. Lembro do meu primo Fábio falando sobre uma menina chamada Georgia. Achava o nome dessa menina demais e pelas histórias que eles me contavam ela parecia um personagem saído de alguma canção do Buddy Holly, uma espécie de Peggy Sue de Santana.</p>
<p>Uma vez, quando fiz dezoito anos, convidei meu primo Fábio para uma festa de aniversário que comemorei junto com um amigo, o Fábio Yanikian, na casa dele, no bairro do Jardim São Bento. Meu primo apareceu com um amigo do clube e o cara era um tremendo escroto!</p>
<p>Estou escrevendo este texto aqui e, na verdade, o que quero dizer é que nossa vida se confunde com a nossa cidade, com o nosso bairro, com os lugares pelos quais passamos. Hoje, não sei como é. Essas crianças de condomínio fechado, essas crianças de video-game, esses jovens fechados dentro de um mundinho estranho de auto-adulação eterna na internet, eu não sei como essas coisas funcionam. Tenho 33 anos e o mundo que eu conhecia quando era jovem acabou, foi varrido da face da terra por novos interesses, novas tecnologias, e só sobrevive na memória.</p>
<p>Para mim, os clubes são inspiradores. Neles, você encontra pessoas muito diferentes de si próprio e, além de praticar esportes, pratica o senso de convívio social, a tolerância, o respeito e até a competição com o outro (o velho ranzinza que não é seu tio, a gostosa que não te dá bola e a que te dá bola, o cara mais velho que te enche o saco e o que é camarada etc). Para os jovens da minha época, esses clubes todos serviram como um espaço relativamente seguro para o exercício de habilidades que depois seriam bastante cobradas pela vida adulta. Neles o encontro era físico, entre físicos, e ali os moleques e garotas podiam se medir, se testar e se provocar à vontade, sem a proteção de se estar em casa, na frente de um monitor e atrás de um teclado. Era mais emocionante, me parece, e um tanto mais perigoso.</p>
<p>Eu celebro os clubes, hoje, em meu texto, porque quero que você saiba que eles existiram e que alguns ainda existem. Essas construções ainda fazem parte da paisagem urbana e, se dermos a oportunidade, talvez ainda tenham alguma colaboração a oferecer para nós e os jovens paulistanos.</p>
<p>Várias vezes, quando estou no Tietê, vejo uma professorinha passeando com as filhas gêmeas do meu amigo Mauro, o mesmo que festejou seu casamento no salão do clube. Elas ainda são bebês e ficam na escola do clube durante a tarde, enquanto os pais trabalham. Apesar de estar encostadas na Marginal, as alamedas do clube são silenciosas e arborizadas, perfeitas pra embalar o sono da Lívia e da Lais (o nome delas). Essa imagem, uma professora passeando com as filhas de um amigo de infância à tarde, enquando nado sozinho numa piscina olímpica oficial fabulosa, me enche de paz. E é isso.</p>
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