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Ícones Influentes da Cultura Brasileira IV – Que Fim Levou Robin?
Que Fim Levou Robin? – nos perguntava Mauro Borges e sua trupe que revolucionou a música brasileira moderna do século XX. A primeira banda atitudinal do pop brasileiro e, até por isso, mudou tudo: antes deles, quem ousaria tanto? Sim, é verdade que tivemos bandas que cujo visual era quase tão importante quanto o que produziam musicalmente (como o Secos e Molhados e a segunda banda hippie do mundo, o Novos Baianos – a primeira morreu com o cérebro frito).
Mas Mauro Borges nos deu o pacote completo: sandálias, polainas, muita maquiagem, muito glitter, muita diversão e o vazio existencial do glamour da moda. As letras falavam do chamado “mundinho” e geralmente davam margem a grandes idéias sociológicas, como “Aqui Não Tem Chanel” e “Fashion”, normalmente repetidas 300 vezes para melhor compreensão. Se tivesse ficado nisso, já seria incrível. Mas não. Há sites que inclusive os colocam como “pioneiros da cena rave nacional”, por terem tocado abrindo para o Inner Circle e Madonna. Eles foram muito longe e muito além do que pensavam poder chegar. É pena que o Italo House não os descobriu a tempo, afinal o OFLR surgiu uns 4 anos depois que a cena já tinha acabado.
Mas o rastro de importância deles permaneceu imbuído e embebido, em especial na cena indie brasileira. A idéia de que uma banda pode ser só uma banda de atitude marcou profundamente a nova cena nacional. O Cansei de Ser Sexy é um bom exemplo. Sua vocalista é conhecida por parecer permanentemente de TPM e de saco cheio de estar numa banda. Todos os músicos parecem muito mais preocupados em usar uma roupa que os façam parecer desencanados do que efetivamente em produzir algo musical, porque no fundo, isso é irrelevante. E isso é o máximo! Porque é a atitude que nós compramos, não o conteúdo.
Veja o caso do Copacabana Club, o CSS do James Bar de Curitiba. Querem prova maior de que style é o novo rock? Com o hip-hop sendo o gênero musical hoje mais vendido no mundo, resta ao “rock/pop” se reinventar e isso passa pelo visual. E é essa a cara do rock dos novo século: o visual se tornou 100% mais importante que o conteúdo, assim como no hip-hop mainstream. De nada adiantou a era dos anos 1990, que serviram para sepultar o rock farofa e as mega-produções. Hoje a era é dos manos de Cadillac e dos indies poseurs, a variante Poison dos alternativos.